Loucos e alucinados por animais
A forma como nos relacionamos com o mundo tem muito a ver com a forma com que o mundo se relacionou conosco durante nosso desenvolvimento. Quem sofreu privação afetiva neste período tem muito mais possibilidades de ser frágil na forma de amar e se relacionar. A auto-estima e a autoconfiança serão sentimentos importantes nesta relação.
Não se pode generalizar, mas existem pessoas com repertório social limitado, que apresentam dificuldade em manter vinculo com seus iguais por vários motivos; entre eles está à questão da assertividade, autoconfiança e auto-estima. A pessoa não aprendeu a se relacionar adequadamente. Se estas pessoas se apaixonarem por alguém, com certeza será um amor patológico, ou seja, um relacionamento doloroso com uma grande carga de controle. Isso porque, na avaliação delas, terão dificuldade em aceitar um possível abandono por não acreditarem que são capazes de encontrar mais alguém com quem possam se relacionar. Ocupam-se exclusivamente do parceiro, sem controle.
Na relação humano/animal, pode ser que “só a morte os separe”. Já a relação entre humano/humanos, muitas variáveis poderão entrar em ação.
O padrão patológico de se relacionar pode acontecer de ser humano para ser humano (com mais freqüência no sexo feminino por questões culturais) e de ser humano para animais. A grande diferença é que Cães e Gatos relacionam-se afetivamente com todos aqueles que lhes dão afeto, alimento e aconchego. Eles nunca emitirão crítica e não sinalizarão comportamentos inadequados; serão sempre companhias não punitivas. Irão sempre receber seu dono com alegria, mesmo quando este chega tarde. Não criticarão roupas feias, sujas, apertadas ou fora de moda e muito menos a desorganização. Ou seja, são companhias perfeitas.
É claro que estou me referindo aos excessos; amar e cuidar dos animais é uma ação muito nobre e saudável. O que diferencia o ANORMAL do PATOLÓGICO é a intensidade. E o perigo está no distanciamento justificado (eu me entendo melhor com os bichanos que com os humanos), cada vez maior e que acarreta em prejuízos sociais e comportamentais.
Maria de Lourdes da Cunha Sola
Terapeuta Cognitivo Comportamental
Especialista pela USP
CRP: 06/46882-6

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