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SOBRE ANSIEDADE-Por Raquel Rodrigues S. de Melo-Psicóloga Cognitiva -colaboradora


ATIRE A PRIMEIRA PEDRA, QUEM NUNCA SENTIU ANSIEDADE!!!!!

Origem dos sintomas: Quem, em algum momento da sua existência, não sentiu aquele friozinho na barriga e/ou no estomago, coração disparado, suor excessivo, rosto afogueado, tensão muscular, náusea, vômitos e uma vontade imensa de fugir? Ao fazer uma prova, uma entrevista de emprego, namorar, casar, etc…? Então, todas estas sensações têm um nome: ANSIEDADE, que nada mais é que uma resposta corporal “normal” quando enfrentamos uma situação nova, desconhecida ou quando nos percebemos ameaçados. Sensações que herdamos dos nossos ancestrais: os homens das cavernas, como instinto de sobrevivência e preservação da vida. Definição da palavra “Ansiedade”: Termo grego “ANSHEIN”, que significa: “estrangular”, “sufocar”, “oprimir”. Termo correlato angústia, origina-se do latim “ANGOR” que significa: “opressão”, “falta de ar”, e ANGERE que significa “causar pânico”. Quando a ansiedade deixa de ser uma reação normal e se torna patológica? Biologicamente a ansiedade pode ser definida como um estado emocional ligado à percepção de contextos ambientais: lugares, pessoas, atividades, etc… que são comparados à vivência anterior (memória) e que ativam sistemas cerebrais específicos com função adaptativa (sucesso do indivíduo). (Gray, 1987) Portanto, a ansiedade torna-se patológica quando o ser humano perde a característica adaptativa e passa a evidenciar sintomas fisiológicos que ultrapassam o seu limite, desencadeando prejuízo funcional. Isso ocorre por conta de uma excitação excessiva do Sistema Nervoso Central que leva o indivíduo a fazer uma interpretação subjetiva de uma situação de perigo irreal. Alta ansiedade, alto grau de desenvolvimento de doenças como: Transtorno do Pânico; Transtorno do Estresse Pós Traumático; TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), Fobias, Depressão. Anorexia; Bulimia. Origens da Ansiedade: • Genética: pais muito ansiosos podem gerar crianças ansiosas, ou seja, a criança já nasce com uma pré- disposição para desenvolver os sintomas. Desde cedo, ainda bebê, já se percebe esse comportamento ansioso, que aparece na avidez do mamar, na dificuldade para dormir, agitação, choro freqüente (sem causa), teimosia, possessão e, às vezes, hiperatividade.. • Infância carente e problemática: relação de conflitos entre os pais; lares desestruturados; dificuldade da família em passar afeto e suprir as carências afetivas da criança, faz com que ela cresça insegura, com baixa auto-estima internalizando sentimentos e sensações negativas de que a qualquer momento coisas ruins poderão acontecer. • Dificuldade em aceitar e incorporar fatos e intercorrências novas ou desconhecidas. O que é conhecido nos dá a sensação de segurança e de controle, enquanto que o novo, gera a sensação de “medo”, de incertezas. • Outras situações que podem desencadear quadros ansiosos e desequilíbrio emocional: eventos traumáticos, cobranças profissionais, pressão social, familiar, pressão escolar, doenças, perdas de status, afetiva, material, financeira.. Pensamento X Ansiedade A característica psíquica principal do estado ansioso é o pensamento acelerado. Através dessa ruminação incessante da mente, a pessoa cria a falsa impressão de que poderá controlar, antecipar, se libertar das situações estressoras e/ou terá tudo sob controle, gerando confusão mental, desgaste de energia e comportamentos inadequados. Quando tomar medicação e/ou fazer psicoterapia? Quando as sensações corporais ultrapassarem os limites do indivíduo causando mal estar físico e descontrole emocional. As medicações são indicadas para equilibrar a descarga de noradrenalina que ocorre devido à excitação do Sistema Nervoso Central gerando os sintomas corporais. A psicoterapia ajudará na identificação e reconhecimento das causas que provocam a ansiedade desencadeando comportamentos disfuncionais, como também, auxiliá-lo a manejar e canalizar a sua ansiedade de forma positiva para obter uma vida mais tranqüila e saudável.

 Raquel é Psicóloga Clínica e Psicopedagoga formada pela Puc de Campinas, com especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva pela USP. Atendimento para crianças, adolescentes e adultos. End. Av. Ana Costa, 414 – cj 93 – Gonzaga Tefs. (13) 3014-0064 e (13) 9743-4005 – Email: rrsm13@gmail.com

Sobre matéria na revista ÉPOCA


Leia os comentáriosFaça seu comentário -Maria de Lourdes da Cunha Sola | SP / Santos | 16/10/2009 19:54 Sobre o pensamento positivo e a autoestima.

 Como Analista de Comportamento, entendo que o pensamento positivo teria como única função, neutralizar uma descarga adrenérgica (acionar o Sistema Nervoso Parassimpático ), e aí, a pessoa fica com mais capacidade de raciocínio,devido a uma baixa na ansiedade e com mais clareza para realizar o que pretende. Mas, se ela não for à luta,nada se concretizará. E sobre a autoestima,por que quem a tem rebaixada não adiantará pensar positivo? Porque a autoestima se desenvolve na relação com seus familiares durante a vida. Quando a criança é reforçada positivamente pelas pessoas do seu convívio social; pais principalmente.Quando ela é valorizada pelos seus iguais.Está associada aos vínculos positivos ao longo do seu desenvolvimento. Quando numa família,a pessoa é mais importante que os comportamentos.Quando os pais ficam atentos aos sentimentos dos filhos,quero dizer, autoestima se desenvolve na relação social. Obrigada! Lourdes Sola – Psicóloga Comportamental e Cognitiva

CRÔNICA


A TRAJETORIA DE UMA PSICÓLOGA 

Tudo começou com a escolha; “isso ou aquilo”, já diria  Cecília Meireles! Ou se escolhe medicina e não se escolhe psicologia, ou se escolhe psicologia e não se escolhe medicina.”Isso ou aquilo”. Eu escolhi psicologia! O primeiro ano, “Deus nos acuda”; cada professor que entrava  na sala, falava um monte de nomes e de teorias como se tudo fosse familiar a todos. Várias vezes, coloquei o pé para fora e os colegas me puxaram de volta. Levei  um tempo até a linguagem se tornar familiar, para isso, dias e dias na biblioteca. É, no meu tempo o Google não era nada familiar. Sobrevivendo ao primeiro ano, os quatro restantes, que sufoco; não havia tempo para respirar senão junto a filósofos, psicólogos, pesquisadores e afins. Os estágios; maravilha! Já me sentia psicóloga. Quando alguém  me perguntava o que estava fazendo, respondia de boca cheia; estou terminando o curso de psicologia. Já começava a ver as pessoas de forma diferente. Achava que tinha o olhar mais clínico e mais crítico que qualquer pessoa. Ledo engano! O problema começoude fato, no estágio de clínica quando fui atender o primeiro paciente. Quem não sentiu o que eu senti, “atire a primeira pedra”. Ele estava marcado para às cinco da tarde. Tudo ensaiado com a supervisora, papel de anamnese na mão, é só seguir os passos. Tremendo dos pés à cabeça, olho fixo no relógio, cada minuto parecia uma hora. Tomara que ele se atrase ou até não venha. Cada minuto que ele atrasava, meu coração pulava mais forte.  E ele não veio! Ufa! Fui salva pelo gongo! Mas um dia ele, o primeiro, virá! Aí começa o grande questionamento; e se ele souber mais do que eu? Quanta insegurança! Meu primeiro paciente na clínica da faculdade, para aumentar mais meu sofrimento, vertia-se de branco e era muito bonito. Alto, branquinho, cabelinho raspado, só pode ser médico! Passei pela sala de espera, e mais adiante uma colega que perguntou; quem vai atender a este médico? E eu respondi enchendo o peito de medo e orgulho: – Eu! Subi a escada para preparar a sala. Chegando la, joguei no chão  os livros que trazia e pensei em voz alta: e agora? Respirei fundo, lembrei dos ensaios e chamei o moço. Um gracinha, diria a Hebe! Ele não era médico, era cabeleireiro. Fizemos um vínculo muito bom e fui muito bem orientada pela minha supervisora. Depois, vem a formatura. Colação, festa, fotos e despedidas. O primeiro ano de formada optei em ficar na clinica da faculdade no projeto recém formados. Não se ganha dinheiro mas se tem o respaldo da faculdade no que diz respeito à supervisão e prática. Quanto sorri e quanto chorei com os pacientes! Leva um tempo para você se habituar com o sofrimento. Saí da clinica da faculdade com cinco pacientes e montei meu consultório. E como dizia uma mestra, um tanto pessimista ou realista; para iniciar uma profissão de psicóloga ou você é bem nascida ou bem casada. E eu não era uma coisa nem outra. E é preciso ter dinheiro para investir; cursos, congressos, livros, supervisão e terapia pessoal. É, psicólogo tem que fazer terapia! Bom, jogar na loteria não era minha prática. Prefiro coisas mais concretas. Fui fazer algo para vender. Aliás, vendi muito sanduíche natural e muito perfume para pagar a faculdade. Sempre sonhei muito alto, não financeiramente, mas conhecimento. Fazer especialização na USP fazia parte desses sonhos. Cheguei lá e muito além! Ter muito conhecimento, ser uma excelente terapeuta, quem não sonha? E só com muito estudo muita,troca com colegas, cursos, congressos,uma busca eterna. Enquanto eu viver, quero ser psicóloga, a melhor profissão do mundo.

E POR FALAR EM MEDO…


  MEDO OU FOBIA?

 (Como surge?)

O medo é uma resposta natural do organismo a um evento aversivo e faz parte de uma história de aprendizado. Você já reparou que as crianças e os animais novinhos não sentem medo? Eles comecam a sentir medo a partir do momento em que sao expostos a uma situação que lhes causa sofrimento, desconforto ou que os adultos lhe passem os modelos O medo é desenvolvido na interação do indivíduo com seu ambiente. Mas, e ruim sentir medo? – Não! O medo faz parte da preservação da espécie; e uma proteção. Se não sentimos medo, não sobrevivemos pois ficamos expostos a todos os eventos de risco. O medo prepara o organismo para se defender ou atacar, seguindo uma ordem do cérebro. Ainda bem que tais eventos não estão constantemente presentes em nossas vidas, pois desta forma chegaríamos ao estresse. Fobia vem de Fobos, palavra grega que deu nome a um dos um dos filhos de Ares (Marte) e Afrodite(Vênus), personagens da mitologia grega, e que faz parte dos Transtornos de Ansiedade. A fobia também é uma resposta do organismo, aprendido da mesma forma que o medo, só que é uma resposta disfuncional . Veja como se aprende: a mesma resposta que seu organismos apresenta diante de um perigo real,apresenta diante de uma evento que para a maioria das pessas é neutro.O coração dispara, o corpo treme, a boca fica seca, e tudo mais.  Durante seu desenolvimento ou por aprender com seus iguais, ou por um acontecimento traumático, você começa a parear. Se entra num elevador e é assalto, foi um evento real. Mas  se toda vez que você vir umelevador,  associar ao assaltante e passa mal, quer dizer que um elemento lembra o outro e você passa a subir só de escada, se com o passa do tempo você mantiver este padrão de resposta, você desenvolver uma fobia espacífica.E como saber se é medo ou fobia? Por exemplo, se você passar mal diante de um leão, é medo; se passar mal diante de uma borboleta, é fobia. O cérebro, através do seu Sistema Nervoso Autonômico (Simpático), coloca seu corpo em estado de prontidão, sempre preparado para o ataque ou para a fuga. Quero deixar calar, que nem todos que passam por eventos traumáticos, viram fóbicos. Tudo vai depender do organismo, do repertório comportamental e outros. E por que e necessário fazer tratamento para nos livrarmos das fobias? E importante pois a fobia faz parte do grupo de Transtorno de Ansiedade e, como todo Transtorno, desequilibra a existência, limitando o repertório comportamental pois o individuo vai deixando de se expor ao seu ambiente, perdendo entao a oportunidade de ser reforçada. Todos precisam entrar em contato com diversas situações e solicitações da vida e, vivendo em situação de esquiva, não se vai ao encontro destas solicitações. É importante diferenciar o que perigo e o que desagrado e, principalmente, desenvolver estratégias de enfrentamento diante de um ou outro evento.E como a fobia é considerada como um comortamento aprendido, você pode desenvolver formas mais adaptativas e criar o que se chama HABITUAÇÃO.

“NO DESESPERO, NA TEMPESTADE, QUALQUER PORTO!”


portoBonita a frase, não? Esta eu ouvi na USP de um mestre que admiro muito, o professor Hélio Guilhardi, que também deve ter ouvido de outro mestre. Aliás, tudo que dizemos alguém já disse um dia. Logo, ninguém fala se não entre aspas!
Quem falou não importa. O que importa é o efeito que ela causa. Realmente, na tempestade, qualquer porto! Aí eu acrescento: passando a “tempestade”, busque urgente o seu “porto” sonhado! O que isso tem a ver com a vida das pessoas? Muito! Quantas vezes não ouvimos a famigerada frase: “se só tem tu, vai tu mesmo”.O que quer dizer; não me dou ao trabalho de procurar coisa melhor. Acomodo-me à situação e depois justifico : foi o melhor que consegui. Stop! Pare! Pare e acrescente: foi o melhor que consegui no momento, mas estou em busca de alternativas. Você certamente já leu ou pelo menos ouviu falar de resiliência, de pessoas resilientes. Resiliência é a capacidade de vencer dificuldades. Resistir às pressões e voltar. Resilientes são aqueles que enfrentam “tempestades” e dão a volta por cima. Que dão “A Grande Virada” (José Luiz Tejon, 2008). Característica daqueles que não param no primeiro “porto” e seguem em frente e, com muita sabedoria, chegam ao destino sonhado.
Quando falo em tempestade, não me refiro às tragédias da vida. Também!Mas não só. Estou falando em saber usar recursos disponíveis e criar outros para sair de qualquer situação que esteja trazendo desconforto. Digo em não ser acomodado em qualquer situação e assumir responsabilidades, seja com relação a parceiros que oprimem, chefes que não valorizam e tantas outras situações com as quais todos se deparam ao longo vida. Veja que interessante: parece que as pessoas não gostam muitas vezes de assumir responsabilidades. Se tomo uma decisão, a responsabilidade é minha; se deixar o outro decidir, ufa, livro-me dela! É bem assim; decisão implica em responsabilidade e nem sempre se está forte o suficiente para assumir tal responsabilidade.
O que acontece é que às vezes já se foi tão punido pela vida, que se perde a coragem de continuar. Perde a esperança de que algo de positivo pode acontecer. Acredita que nada mais pode ser feito e que tudo está fora de controle. Ainda bem que não se pode generalizar, já que enquanto umas não encontram recursos para lidar com as dificuldades, outras parecem estar sempre em processo de reconstrução. Muitos se dão conta que de que a vida é uma experiência fantástica e única e que, mesmo cercada de dúvidas, pressões, sofrimentos e desilusões, vale muito a pena buscar alternativas
Espero, caro leitor, que seja este o seu caso!!

TRANSTORNO DO HUMOR – TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR


veio cansadoÉ um transtorno de comportamento, caracterizado por fases de depressão alternadas com fases de euforia (mania ou hipomania), intercaladas por períodos de normalidade ao longo da vida. Pode ser acompanhado por sintomas psicóticos.

Outras denominações:
- Século IXX – Psicose Maníaco Depressiva (Kraepelin,1896);
- Século XX – Transtorno afetivo bipolar (APA, 1994);
- Século XXI – Espectro Bipolar“ (Akiskal e cols., Montgomery e Keck, 2000).

ETIOLOGIA (origem)

Neuroquímica:
Neurotransmissores envolvidos: serotonina, dopamina, acetilcolina, noradrenalina e GABA;
Neuroendócrina:
Alteração do eixo hipotálamo-hipofisário.
Neuroanatômica:
Alargamento de ventrículos laterais (mania e depressão psicótica); lesões em substância branca e perda celular no córtex pré-frontal e hipocampo;
Genética:
Alguns estudos com os cromossomos 4, 12, 18,19 e 20 – ainda inconclusivos; ter um parente de 1º grau com TAB: probabilidade sete vezes maior de desenvolver TAB; diminuição do metabolismo em gânglios da base (depressão).

VARIAÇÃO HOMEM – MULHER

- Causas psicossociais;
- Mudanças hormonais;
- Vida reprodutiva;
- Ciclagem mais rápida;
- Tipo II;
- Início mais tardio;
- Maior probabilidade de se tornar alcoolista;
- Dificuldade em procurar e aderir ao tratamento;
- Maior risco de suicídio;
- Maior resistencia à procurar ajuda;
- Abandona o tratamento mais facilmente.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS – DSM IV

Número de episódios:
- Um episódio de mania = provável caso de TAB (é extremamente raro ter mania unipolar);
- Um episódio de depressão e um episódio de hipomania ou mania = bipolar;
- Ciclador rápido = + de quatro episódios por ano.

Tempo mínimo de alteração de humor:
- Mania = uma semana;
- Hipomania = quatro dias;
- Depressão = duas semanas.

Número mínimo de sintomas:
- Mania: tres sintomas;
- Hipomania: tres sintomas;
- Depressão: tres sintomas.
Não é decorrente de uso de substâncias psicoativas

CONTROLE

Acompanhamento médico
A medicação é particularmente importante pois é bastante comum que o paciente de bipolaridade deseje interromper a terapia medicamentosa. A interrupção no uso do medicamento recomendado, via de regra, desencadeia novos episódios da conduta característica a essa condição: estados de depressão mais intensa e maior exaltação na euforia.

Psicoterapia
A eficácia da Terapia Comportamental e Cognitiva é inquestionável por trabalhar com reforçadores positivos, capacidade de discriminar contingências aversivas e desenvolver repertório adequado para lidar com eventos que possam interferir diretamente no quadro. Sono suficiente e em horário regular, alimentação equilibrada e atividade física adequada. Restrição ao uso de álcool e drogas;
Obs.: A medida que os estressores oxidativo vão ocorrendo,vão causando danos irreverssíveis.

CASO CLINICO

Cliente G, 44 anos, casada há 20. Professora  de inglês  (afastada do trabalho), quatro filhos adolescentes, marido constantemente desempregado.
- Faz tratamento para depressão desde os 20 anos e para alcoolismo não lembra desde quando;
- Fica longos períodos na cama; a empregada cuida dos filhos que já não suportam mais tal situação;
- Dificuldade de relacionamento conjugal;
- Dificuldade de relacionamento com a mãe;
- Dificuldade para identificar reforçadores;

Os quatro primeiros atendimentos foram realizados no domicilio, pois nada a reforçava a sair do quarto.
Para o quinto atendimento, a terapeuta solicitou que um familiar acompanhasse L. até o consultório. A consulta não aconteceu. A paciente faltou ao quinto e ao que seria sexto atendimento, mantendo comportamento de fuga, esquiva.
Na semana seguinte, L. ligou confirmando o atendimento. Na consulta, estava com um ótimo aspecto e com roupa de ginástica. Questionada sobre a mudança, relatou que havia períodos em que ficava bem, “muito bem”. Relatou também um fato que a marcou muito no último período em que esteve bem: estava dando aula de música, subiu na mesa e começou a dançar, fato que provocou muito desconforto à direção da escola. Os pais dos alunos solicitaram seu afastamento.

CONDUTA TERAPÊUTICA
A Terapeuta fez contato telefônico com o psiquiatra, solicitando reavaliação, onde o mesmo confirmou a suspeita de THB.
Então foi iniciado o processo de informação sobre os comportamentos disfuncionais, com análise dos déficits de repertorio, treino de habilidades para buscar reforçadores positivos, assertividade, autocontrole para prevenção de recaída no uso do álcool e orientação familiar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tentando conciliar as opiniões em favor dos fatores hereditários e dos psicosociais, há a denominada hipótese diátese-estresse: os
transtornos resultam de uma suscetibilidade hereditária, combinada
com um ambiente altamente estressante e a falta de habilidades
para enfrentar as situações que geram estresse. Um lar, uma escola
ou uma sociedade, que insiste na necessidade de sucesso individual
e que encoraja o indivíduo a competir e a ambicionar sempre mais,
por certo condena alguns dos seus membros ao fracasso
“.
Lannoy Dorin

CURIOSIDADE

Uma lista interminável de artistas célebres, parte deles portadores de graves transtornos psíquicos, parece confirmar o ponto de vista
do filósofo grego Platão :”Uma Loucura Divina”, como base
fundamental da criatividade.
Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Lord Byron, Liev Tolstói, Serguei Rachmaninov, Piotr Ilitch Tchaikóvski, Robert Schumann – o poder criativo de todos eles caminhava lado a lado com uma instabilidade psíquica claramente dotada de traços patológicos. Variações extremas de humor, manias, fixações, dependência de álcool ou drogas ainda hoje atormentam a vida de muitas mentes criativas.

Qual será elo entre a patologia e a genialidade?

REFERÊNCIAS

AKISKAL, H.S.; BOURGEOIS, M.I.; ANGST, J.; MÖLLER, H.J; HIRSCHIFIELD, R. – Re-evaluating the prevalence of and diagnostic comparision within the broad clinical spectrum of bipolar disorder. J Affec Disord 59 (suppl. 1): 5-30, 2000

ANDRADE L., Walters EE, Gentil V e cols. – Prevalence of ICD-10 Mental Disorders in a Catchment a Área in the city of São Paulo, Brazil. Soc Psych Epidemiol 37(7): 316-325, 2002
BALLONE G.J., – Transtorno Afetivo Bipolar, in. PsiqWeb, internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br, 2008.

TUCCI, A.M. – Fatores associados ao uso abusivo de substâncias psicoativas: história de abuso e negligência na infância, historia familiar e comorbidades psiquiátricas. Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, 2005
American Psychiatric Association-DSM-IV- Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, Porto Alegre, Editora

Artes Médicas, 4ª edição, 1995.

JASPERS, K.-Escritos Psicopatológicos. Editorial Gredos, Madrid, 1997.

KRAEPELIN,E.-Psychiatrie:Ein Lehrbuch für Studirende und Aerzte. Barth, Leipzig,V,Aufl., 1896

SOUZA, G;F;J;-A Fenomenologia dos Transtornos Psicóticos Atípicos: Os Estados Psicóides. Psiquiatria Biológia,

Decepção Amorosa


Ha duas semanas, participei do programa Show +, da TV+, que teve como tema Decepção Amorosa; uma temática bastante frequente em meus atendimentos.

Através do link abaixo, é possivel acessar o programa na integra:

Programa Show +

Comentem!

CASO CLÍNICO DE FOBIA ESPECÍFICA A SANGUE


 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

 

Especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva: Teoria e Aplicação

Terapeutas: Maria de Lourdes da Cunha Sola

Flávia Cristina de Carvalho

Cliente: C.A. 21 anos, universitário 

Resumo

A fobia específica a sangue é um subtipo de fobia  que leva o indivíduo a apresentar uma reação orgânica que pode levar à síncope. Pode ser causada ao ver sangue ou ferimentos, ao receber injeção ou submeter-se a procedimentos médicos invasivos, além de, freqüentemente, se caracterizar por uma vigorosa resposta física. No caso presente, o cliente C., de 21 anos, estudante, foi encaminhado pelo setor de Psiquiatria do Hospital Universitário para atendimento em co-terapia com alunos do curso de especialização em Terapia Comportamental e Cognitiva da USP. O relato verbal  do cliente referia-se a episódios recorrentes desde a infância. Os atendimentos ocorreram no próprio hospital, no período de março a novembro do ano de 2006, dentro da abordagem analítico-comportamental em co-terapia. O atendimento foi semanal, iniciando em consultório,com entrevista, histórico de contingências, inventário de assertividade e técnica tensão aplicada.  Depois de analisadas as contingências de reforçamento, foi realizado um trabalho de exposição gradual, seguindo uma  hierarquia  pré-determinada, desde ensaio encoberto passando por manuseio de materiais (seringas, agulhas e garrote) até a coleta do próprio sangue.  Durante o período de atendimento, o cliente apresentou  facilitadores para mudança de comportamento, uma vez que, por livre iniciativa, fez aproximações aos eventos fóbicos pesquisando na internet e assistindo filmes envolvendo cenas de sangue. Durante o período de atendimento, o caso evoluiu de forma positiva com uma tolerância significativa , chegando à habituação. Nas duas últimas exposições, não houve ocorrência de sintomas físicos e o relato final  foi de agradecimento às terapeutas, pelos reforçamentos positivos que recebeu e pela aquisição de repertório de enfrentamento que adquiriu. Acrescentou que, nos últimos atendimentos, o que lhe causou  aversão  foi  presenciar o sofrimento humano, o que foi reforçado pelas terapeutas, explicando que se trata de uma questão filogenética.

Palavras-chave: fobia,  sangue, exposição, habituação

 

FELIZ ANO NOVO MESMO QUE VELHO


Todos os meios de comunicação no início do ano, retratam o recomeço. Como se sempre fechássemos um porta para abrirmos outra. Deixando para trás toda uma história. O que acontece é que a humanidade tem uma grande necessidade de fronteiras, de limites para não se perder, para não deixar a vida fluir sem sentido. Precisamos saber que as etapas da vida têm tempo determinado para serem vividas. É por isso que é importante sabermos que a vida tem um tempo limitado ou seja, que existe morte. Para que não deixemos tudo eternamente para depois. Estas fronteiras que a vida nos dá, é que fazem com que fiquemos alertas o tempo todo sobre o que estamos fazendo das nossas vidas. Se um ano durasse tantos dias quanto dura uma década, teoricamente o valor seria mesmo mas em termos de sentido para a existência humana, seria muito pobre em realizações, em emoção e em sentido. É por esta razão, que devemos louvar, quem inventou as “fronteiras”.

Um abração para todos!