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E POR FALAR EM CRISE…


crise 

 

Por Lourdes Sola

 

 

Gosto de me reportar a algum texto ou alguma parábola para exemplificar fatos. Já havia escutado da sabedoria antiga, mas foi muito bem retratado no livro “O QUE PODEMOS APRENDER COM OS GANSOS” de Alexandre Rangel. Entre mais de duas centenas destas parábolas, tem uma que fala o seguinte: “Certa vez, um profeta e um discípulo, estando em viagem, pediram pousada em uma das residências que encontraram ao longo do caminho. Na hora do jantar, foi-lhes oferecido somente um copo de leite. Era a única coisa que o dono da casa tinha para oferecer, embora na casa fossem todos saudáveis, tanto pai quantos filhos. A terra era boa, tinha bastante área para plantio, mas a família nada cultivava. Em toda a terra havia somente umas vacas leiteiras, de onde vinha o leite que sustentava toda a família”.

Pela manhã, o profeta e seu discípulo levantaram, agradeceram a hospedagem e seguiram viagem. Um pouco adiante da casa, viram que a vaca pastava à beira de um precipício. O profeta então ordenou que o discípulo empurrasse a vaca para o penhasco. O discípulo relutou, mas obedeceu e empurrou a vaca barranco abaixo, a qual morreu na queda.

Anos depois, o profeta e o discípulo voltaram àquela região e novamente pediram pousadas na mesma casa. Observaram imediatamente que muitas mudanças haviam acontecido naquela família; já se viam plantações ao redor da casa, animais pastavam no terreno todos se movimentavam e ocupavam-se com algumas tarefas. Na hora do jantar, foi servida uma comida excelente, preparada com a colheita da própria terra que foi orgulho para todos. Pela  manhã, o profeta e o discípulo despediram-se da família e seguiram viagem. O profeta então disse para o discípulo: “se não tivéssemos empurrado a  vaca no precipício, a família nunca teria  se desenvolvido, trabalhado e cultivado a terra que possuía.”

Esta parábola mostra com simplicidade o que acontece com todo ser humano. Quando estamos numa situação de conforto, embora com a certeza que podemos e merecemos muito mais, dificilmente buscamos crescimento ou, se temos a pretensão, deixamos para o dia seguinte e vamos postergando dias afora. Aí o mundo balança e mexe com nossa zona de conforto. Só aí lamentamos o tempo perdido. Falo sempre para os meus “discípulos” ou pessoas que me procuram: invista em você! Sempre! Se a situação está boa, busque a melhor! Quando nos acomodamos numa situação estamos mais vulneráveis. Se plantarmos só um tipo de cultura, estamos fadados a na primeira chuva forte, ficarmos sem alimento. Li em algum lugar que: “monocultura e subdesenvolvimento andam de mãos dadas”. Então não espere que a crise chegue para que você pense num plano B. Este plano tem que lhe acompanhar sempre. Além do investimento intenso na sua área de atuação, desenvolva outras habilidades. Assim, quando “a vaca rolar o barranco”, você terá estratégias de sobrevivência.

De qualquer forma, se você foi pego de surpresa, aproveite e descubra outros potenciais que você nem imaginava que tinha. Os obstáculos aparecem em nossas vidas para que despertemos nosso gigante interior. Se os mitos ressurgem das cinzas, porquê não você?

Pense nisso!

 
 
 
 
 

 

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DECEPÇÃO AMOROSA NA ADOLESCÊNCIA


Materia originalmente publicada no site Viva Filhos

Decepção amorosa na adolescência

 

Todos nós sabemos que superar uma decepção amorosa não é tarefa fácil. Mas, durante a adolescência essas desilusões parecem ser piores. Os pais que hoje passam por situações parecidas com seus filhos, certamente não conseguirão lembrar com clareza todas as aflições que já passaram na própria adolescência.

Pais, não se aflijam! “A adolescência é um período mágico em que num único dia, o jovem consegue ser quente e frio, pequeno e grande, alegre e triste, rápido e lento, medroso e valente, forte e frágil, preguiçoso e trabalhador, bruto e meigo. Tudo isso em apenas um dia!”, afirma a Maria de Lourdes da Cunha Sola, Psicóloga, especialista em terapia comportamental e cognitiva pela USP.

A adolescência é uma etapa transitória na qual o jovem entra no mundo do adulto e começa a se desprender do mundo infantil. Nessa fase, até mesmo por uma questão de maturidade, eles costumam apostar tudo em uma relação presente. “São muitas as transformações ocorridas na vida do adolescente e os amores vividos nesse período, representam um porto seguro diante das tempestades. É o momento no qual o jovem se auto-afirma”, explica a especialista.

Segundo a psicóloga, toda separação representa um luto. É uma fase de sofrimento tanto na vida do adulto como na do adolescente. Durante a essa etapa, as perdas são mais complicadas, uma vez que milhares de descobertas e mudanças estão ocorrendo juntamente com o sentimento de perda.

Ainda que na adolescência a sociabilidade seja maior que em outras fases da vida, a insegurança também é muito grande. Por isso, a atenção e carinho dos pais são essenciais. Se o seu filho passou por uma decepção amorosa e você não sabe o que fazer para ajudá-lo, muita calma e atenção. Saber valorizar e respeitar o sentimento e compreender a dor sentida pelo seu filho demonstrará que você está ao lado dele.

Para a psicóloga Maria de Lourdes Sola, acolher sem criticar é a melhor forma de ajudar o adolescente. “É um período em que não adianta os pais falarem frases do tipo ‘eu sempre percebi que ele (a) não servia pra você’. Atitudes como essas só irão piorar a situação. Em outras palavras, vocês estarão dizendo: ‘filho você é um trouxa e não percebeu o tipo de pessoa com a qual namorava e o sofrimento será duplo”, ressalta.

Se a relação entre você e seu filho sempre foi aberta, se o respeito e a amizade sempre existiram, o seu colo será o primeiro que ele irá procurar. Agora, se nunca existiu esta relação, não será no período de luto que os pais conseguirão esta aproximação. “Forçar uma conversa sobre um assunto que ele não quer falar e, principalmente, num momento em que tudo o que ele precisa é de respeito a sua privacidade, só piorará a situação”, finaliza a psicóloga.

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COMPORTAMENTO FAMILIAR DURANTE A GRAVIDEZ


Por Lourdes Sola

Ciúmes do filho com a vinda de um novo irmãozinho

O ciúme está presente em todas as espécies e funciona como uma resposta adaptativa, que tem como objetivo, a preservação de uma relação e que é reforçado culturalmente. (grifo meu).

As crianças não nascem com sentimentos bons ou ruins. Os sentimentos são instalados na relação com as pessoas que atuam diretamente na sua formação. Tudo começa na base da família, quando os pais valorizam os filhos desde sempre. Quando estão atentos aos sentimentos e comportamentos dos filhos, e os consequeciam de forma adequada, eles certamente desenvolverão sentimentos bons, tanto por ele como pelos outros.

Ajudar no desenvolvimento da auto-estima dos filhos é uma questão fundamental para que qualquer evento novo, inclusive o nascimento de um irmão, não seja visto como ameaçador. A receita é estar sempre atenta ao valor que a criança tem dentro da família e explicitar em todas as oportunidades; mostrar interesse pelo que a criança faz e pontuar o quanto a companhia dela é importante, principalmente com a chegada de um novo componente. Ficar atento ao que ele já pode e já sabe fazer. Não fazer por ele e sim, dar condições para que ele execute pequenas tarefas, sempre pontuando o quanto ele já sabe fazer.

Também vale lembrar que não é coerente fazer exigências acima da capacidade, pois o que pode parecer no primeiro momento um desafio, pode também desenvolver sentimento de menos valia por fracasso. Então, cada coisa ao seu tempo.

A agressividade de um irmão com o outro nesse período.

Este comportamento não se prende ao nascimento de um irmão. Para que isto aconteça, a agressividade é pré-existente. É uma questão de vulnerabilidade do indivíduo, associada a fatores ambientais, no caso de uma criança sem comprometimento neurológico nem neuroquímico, considere-se o que vem sendo relatado no presente texto.

É interessante atentar às diferenças de cada filho; não querer que todos respondam de forma igual aos eventos e também, não cair na tentação da comparação, como por exemplo: “seu irmão gostou tanto de tal coisa, não sei como você não gosta”. Um irmão não é igual ao outro embora filhos dos mesmos pais e viverem na mesma família. Salve as diferenças individuais! Vamos louvar a diversidade, pois só assim temos criatividade.

Um fator que poucas pessoas ficam atentas é que o ciúme é reforçado culturalmente; a ênfase que as famílias e os amigos dão para o ciúme. Os amigos quando vão visitar  um recém nascido e já tem uma outra criança, não perguntam se o primeiro está feliz e participando do acontecimento; perguntam sim, se ele “está com ciúme”. A própria família às vezes instala esse sentimento quando justifica qualquer situação normal dentro do desenvolvimento da criança. Na maioria das vezes, é um acontecimento que surgiria de qualquer forma. Aí a criança percebe o teor da fala dos adultos, e começa a repetir situações parecidas.

Como separar o tempo de um irmão para o outro.

Como citado anteriormente, os filhos não são iguais logo, as necessidades são diferentes. Se você pediu ajuda ao mais velho para cuidar do mais novo, e isso é muito importante, mostre pra ele o quanto de valioso que foi esse gesto, tanto que sobrou mais tempo para verem um desenho juntos, jogarem um partida de qualquer jogo, fazerem juntos uma pipoca ou algo que ele goste muito. Isso é de vital importância. Não deixe de pontuar o valor da companhia dele em qualquer atividade. Muitas vezes é tudo tão familiar, tão comum acontecer, que esquecemos de ressaltar esses pequenos detalhes .Concluindo, mesmo nas atividades em que executamos juntos, estamos separando o tempo de cada um; um está  recebendo cuidados, outro, está sendo nosso parceiro.

Como dar atenção aos dois ao mesmo tempo.

A correlação entre eventos é fato. No momento em que você está solicitando a participação de um filho, mostrando que confia na ajuda dele para cuidar do outro, você está dando atenção aos dois. Um você está alimentando, cantando pra ele dormir; o outro está sendo seu parceiro, dando condição dele participar da relação além de desenvolver a autoconfiança e desempenho. “Já sei como cuidar do meu irmãozinho, já sei cuidar de alguém”.

O que fazer para a aceitação do novo irmão.

Veja que os fatos não são isolados. Não existe receita pronta para qualquer relação. O que fazemos é investir na relação como um todo. O ser humano é muito complexo e como tal, sujeitos a todo tipo de contingências. É raro um filho não solicitar um irmãozinho, principalmente quando as famílias têm um bom repertório social e familiar. Ele vê priminhos nascendo, amigos da família também crescendo, e inevitavelmente solicitará a presença de um bebê na família dele também. Um fator fundamental nas relações familiares é estimular os componentes a observarem o valor das pessoas dentro desta comunidade chamada família. O modelo de boa relação familiar é determinante para a aceitação de um ou mais membros para esta família.

Conclusão

É fundamental que fiquemos atentos às boas relações, dentro da família.

Os sentimentos não têm hora para seu início; eles são desenvolvidos ao longo da vida na interação com as pessoas de referência, que podem se os pais, os avós ou cuidadores. É uma prática que acontece naturalmente  a partir da boa interação familiar