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“NO DESESPERO, NA TEMPESTADE, QUALQUER PORTO!”


portoBonita a frase, não? Esta eu ouvi na USP de um mestre que admiro muito, o professor Hélio Guilhardi, que também deve ter ouvido de outro mestre. Aliás, tudo que dizemos alguém já disse um dia. Logo, ninguém fala se não entre aspas!
Quem falou não importa. O que importa é o efeito que ela causa. Realmente, na tempestade, qualquer porto! Aí eu acrescento: passando a “tempestade”, busque urgente o seu “porto” sonhado! O que isso tem a ver com a vida das pessoas? Muito! Quantas vezes não ouvimos a famigerada frase: “se só tem tu, vai tu mesmo”.O que quer dizer; não me dou ao trabalho de procurar coisa melhor. Acomodo-me à situação e depois justifico : foi o melhor que consegui. Stop! Pare! Pare e acrescente: foi o melhor que consegui no momento, mas estou em busca de alternativas. Você certamente já leu ou pelo menos ouviu falar de resiliência, de pessoas resilientes. Resiliência é a capacidade de vencer dificuldades. Resistir às pressões e voltar. Resilientes são aqueles que enfrentam “tempestades” e dão a volta por cima. Que dão “A Grande Virada” (José Luiz Tejon, 2008). Característica daqueles que não param no primeiro “porto” e seguem em frente e, com muita sabedoria, chegam ao destino sonhado.
Quando falo em tempestade, não me refiro às tragédias da vida. Também!Mas não só. Estou falando em saber usar recursos disponíveis e criar outros para sair de qualquer situação que esteja trazendo desconforto. Digo em não ser acomodado em qualquer situação e assumir responsabilidades, seja com relação a parceiros que oprimem, chefes que não valorizam e tantas outras situações com as quais todos se deparam ao longo vida. Veja que interessante: parece que as pessoas não gostam muitas vezes de assumir responsabilidades. Se tomo uma decisão, a responsabilidade é minha; se deixar o outro decidir, ufa, livro-me dela! É bem assim; decisão implica em responsabilidade e nem sempre se está forte o suficiente para assumir tal responsabilidade.
O que acontece é que às vezes já se foi tão punido pela vida, que se perde a coragem de continuar. Perde a esperança de que algo de positivo pode acontecer. Acredita que nada mais pode ser feito e que tudo está fora de controle. Ainda bem que não se pode generalizar, já que enquanto umas não encontram recursos para lidar com as dificuldades, outras parecem estar sempre em processo de reconstrução. Muitos se dão conta que de que a vida é uma experiência fantástica e única e que, mesmo cercada de dúvidas, pressões, sofrimentos e desilusões, vale muito a pena buscar alternativas
Espero, caro leitor, que seja este o seu caso!!

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TRANSTORNO DO HUMOR – TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR


veio cansadoÉ um transtorno de comportamento, caracterizado por fases de depressão alternadas com fases de euforia (mania ou hipomania), intercaladas por períodos de normalidade ao longo da vida. Pode ser acompanhado por sintomas psicóticos.

Outras denominações:
– Século IXX – Psicose Maníaco Depressiva (Kraepelin,1896);
– Século XX – Transtorno afetivo bipolar (APA, 1994);
– Século XXI – Espectro Bipolar“ (Akiskal e cols., Montgomery e Keck, 2000).

ETIOLOGIA (origem)

Neuroquímica:
Neurotransmissores envolvidos: serotonina, dopamina, acetilcolina, noradrenalina e GABA;
Neuroendócrina:
Alteração do eixo hipotálamo-hipofisário.
Neuroanatômica:
Alargamento de ventrículos laterais (mania e depressão psicótica); lesões em substância branca e perda celular no córtex pré-frontal e hipocampo;
Genética:
Alguns estudos com os cromossomos 4, 12, 18,19 e 20 – ainda inconclusivos; ter um parente de 1º grau com TAB: probabilidade sete vezes maior de desenvolver TAB; diminuição do metabolismo em gânglios da base (depressão).

VARIAÇÃO HOMEM – MULHER

– Causas psicossociais;
– Mudanças hormonais;
– Vida reprodutiva;
– Ciclagem mais rápida;
– Tipo II;
– Início mais tardio;
– Maior probabilidade de se tornar alcoolista;
– Dificuldade em procurar e aderir ao tratamento;
– Maior risco de suicídio;
– Maior resistencia à procurar ajuda;
– Abandona o tratamento mais facilmente.

CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS – DSM IV

Número de episódios:
– Um episódio de mania = provável caso de TAB (é extremamente raro ter mania unipolar);
– Um episódio de depressão e um episódio de hipomania ou mania = bipolar;
– Ciclador rápido = + de quatro episódios por ano.

Tempo mínimo de alteração de humor:
– Mania = uma semana;
– Hipomania = quatro dias;
– Depressão = duas semanas.

Número mínimo de sintomas:
– Mania: tres sintomas;
– Hipomania: tres sintomas;
– Depressão: tres sintomas.
Não é decorrente de uso de substâncias psicoativas

CONTROLE

Acompanhamento médico
A medicação é particularmente importante pois é bastante comum que o paciente de bipolaridade deseje interromper a terapia medicamentosa. A interrupção no uso do medicamento recomendado, via de regra, desencadeia novos episódios da conduta característica a essa condição: estados de depressão mais intensa e maior exaltação na euforia.

Psicoterapia
A eficácia da Terapia Comportamental e Cognitiva é inquestionável por trabalhar com reforçadores positivos, capacidade de discriminar contingências aversivas e desenvolver repertório adequado para lidar com eventos que possam interferir diretamente no quadro. Sono suficiente e em horário regular, alimentação equilibrada e atividade física adequada. Restrição ao uso de álcool e drogas;
Obs.: A medida que os estressores oxidativo vão ocorrendo,vão causando danos irreverssíveis.

CASO CLINICO

Cliente G, 44 anos, casada há 20. Professora  de inglês  (afastada do trabalho), quatro filhos adolescentes, marido constantemente desempregado.
– Faz tratamento para depressão desde os 20 anos e para alcoolismo não lembra desde quando;
– Fica longos períodos na cama; a empregada cuida dos filhos que já não suportam mais tal situação;
– Dificuldade de relacionamento conjugal;
– Dificuldade de relacionamento com a mãe;
– Dificuldade para identificar reforçadores;

Os quatro primeiros atendimentos foram realizados no domicilio, pois nada a reforçava a sair do quarto.
Para o quinto atendimento, a terapeuta solicitou que um familiar acompanhasse L. até o consultório. A consulta não aconteceu. A paciente faltou ao quinto e ao que seria sexto atendimento, mantendo comportamento de fuga, esquiva.
Na semana seguinte, L. ligou confirmando o atendimento. Na consulta, estava com um ótimo aspecto e com roupa de ginástica. Questionada sobre a mudança, relatou que havia períodos em que ficava bem, “muito bem”. Relatou também um fato que a marcou muito no último período em que esteve bem: estava dando aula de música, subiu na mesa e começou a dançar, fato que provocou muito desconforto à direção da escola. Os pais dos alunos solicitaram seu afastamento.

CONDUTA TERAPÊUTICA
A Terapeuta fez contato telefônico com o psiquiatra, solicitando reavaliação, onde o mesmo confirmou a suspeita de THB.
Então foi iniciado o processo de informação sobre os comportamentos disfuncionais, com análise dos déficits de repertorio, treino de habilidades para buscar reforçadores positivos, assertividade, autocontrole para prevenção de recaída no uso do álcool e orientação familiar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tentando conciliar as opiniões em favor dos fatores hereditários e dos psicosociais, há a denominada hipótese diátese-estresse: os
transtornos resultam de uma suscetibilidade hereditária, combinada
com um ambiente altamente estressante e a falta de habilidades
para enfrentar as situações que geram estresse. Um lar, uma escola
ou uma sociedade, que insiste na necessidade de sucesso individual
e que encoraja o indivíduo a competir e a ambicionar sempre mais,
por certo condena alguns dos seus membros ao fracasso
“.
Lannoy Dorin

CURIOSIDADE

Uma lista interminável de artistas célebres, parte deles portadores de graves transtornos psíquicos, parece confirmar o ponto de vista
do filósofo grego Platão :”Uma Loucura Divina”, como base
fundamental da criatividade.
Vincent Van Gogh, Paul Gauguin, Lord Byron, Liev Tolstói, Serguei Rachmaninov, Piotr Ilitch Tchaikóvski, Robert Schumann – o poder criativo de todos eles caminhava lado a lado com uma instabilidade psíquica claramente dotada de traços patológicos. Variações extremas de humor, manias, fixações, dependência de álcool ou drogas ainda hoje atormentam a vida de muitas mentes criativas.

Qual será elo entre a patologia e a genialidade?

REFERÊNCIAS

AKISKAL, H.S.; BOURGEOIS, M.I.; ANGST, J.; MÖLLER, H.J; HIRSCHIFIELD, R. – Re-evaluating the prevalence of and diagnostic comparision within the broad clinical spectrum of bipolar disorder. J Affec Disord 59 (suppl. 1): 5-30, 2000

ANDRADE L., Walters EE, Gentil V e cols. – Prevalence of ICD-10 Mental Disorders in a Catchment a Área in the city of São Paulo, Brazil. Soc Psych Epidemiol 37(7): 316-325, 2002
BALLONE G.J., – Transtorno Afetivo Bipolar, in. PsiqWeb, internet, disponível em http://www.psiqweb.med.br, 2008.

TUCCI, A.M. – Fatores associados ao uso abusivo de substâncias psicoativas: história de abuso e negligência na infância, historia familiar e comorbidades psiquiátricas. Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, 2005
American Psychiatric Association-DSM-IV- Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais, Porto Alegre, Editora

Artes Médicas, 4ª edição, 1995.

JASPERS, K.-Escritos Psicopatológicos. Editorial Gredos, Madrid, 1997.

KRAEPELIN,E.-Psychiatrie:Ein Lehrbuch für Studirende und Aerzte. Barth, Leipzig,V,Aufl., 1896

SOUZA, G;F;J;-A Fenomenologia dos Transtornos Psicóticos Atípicos: Os Estados Psicóides. Psiquiatria Biológia,