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Loucos por animais


Loucos e alucinados por animais

 

A forma como nos relacionamos com o mundo tem muito a ver com a forma com que o mundo se relacionou conosco durante nosso desenvolvimento. Quem sofreu privação afetiva neste período tem muito mais possibilidades de ser frágil na forma de amar e se relacionar. A auto-estima e a autoconfiança serão sentimentos importantes nesta relação.

Não se pode generalizar, mas existem pessoas com repertório social limitado, que apresentam dificuldade em manter vinculo com seus iguais por vários motivos; entre eles está à questão da assertividade, autoconfiança e auto-estima. A pessoa não aprendeu a se relacionar adequadamente. Se estas pessoas se apaixonarem por alguém, com certeza será um amor patológico, ou seja, um relacionamento doloroso com uma grande carga de controle. Isso porque, na avaliação delas, terão dificuldade em aceitar um possível abandono por não acreditarem que são capazes de encontrar mais alguém com quem possam se relacionar. Ocupam-se exclusivamente do parceiro, sem controle.

            Na relação humano/animal, pode ser que “só a morte os separe”. Já a relação entre humano/humanos, muitas variáveis poderão entrar em ação.

O padrão patológico de se relacionar pode acontecer de ser humano para ser humano (com mais freqüência no sexo feminino por questões culturais) e de ser humano para animais. A grande diferença é que Cães e Gatos relacionam-se afetivamente com todos aqueles que lhes dão afeto, alimento e aconchego.  Eles nunca emitirão crítica e não sinalizarão comportamentos inadequados; serão sempre companhias não punitivas.  Irão sempre receber seu dono com alegria, mesmo quando este chega tarde. Não criticarão roupas feias, sujas, apertadas ou fora de moda e muito menos a desorganização. Ou seja, são companhias perfeitas.

É claro que estou me referindo aos excessos; amar e cuidar dos animais é uma ação muito nobre e saudável. O que diferencia o ANORMAL do PATOLÓGICO é a intensidade. E o perigo está no distanciamento justificado (eu me entendo melhor com os bichanos que com os humanos), cada vez maior e que acarreta em prejuízos sociais e comportamentais.

 

Maria de Lourdes da Cunha Sola

Terapeuta Cognitivo Comportamental

Especialista pela USP

CRP: 06/46882-6

 Loucos por felinos

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MODISMO


Pergunta feita por estudante de jornalismo da Puc-Campinas.

Gostaria de saber se a senhora poderia,  me falar sobre o poder que estes”modismos” exercem sobre a população, não só de jovens, mas também de pais de família bem sucedidos que gastam o salário para comprar uma armadura de Darth Vader (personagem de Star Wars) por exemplo, até que ponto isso influencia na vida da pessoa e como este processo pode ser amenizado para não chegar a graus extremo.

Falando de Modismo

Falemos sobre MODISMO mas não o entendamos como sinônimo de comportamento novo. O ser humano sempre foi movido por reforçadores positivos. Ao longo da existência, este sempre esteve envolvido em episódios que marcaram suas épocas de maneira catártica (a catarse refere-se à purificação das almas por meio de uma descarga emocional intensa).

Um grande exemplo é a antiga Roma, na Idade Media; as BATALHAS DE ARENA. Eram vários dias de preparativos, onde as pessoas se reuniam sedentas por batalhas que inevitavelmente terminavam em mortes. A multidão vibrava e todos esperavam os domingos para assistirem o sangue jorrar, fosse de animais ou de pessoas.

Se fizermos uma busca na linha do tempo, vamos encontrar em todos os séculos e em todas as décadas, movimentos marcantes da cultura. Vide Bossa Nova, Jovem Guarda, Iê Iê Iê e Tropicália, entre outros.

Cada época tem seu diferencial mas o objetivo é o mesmo: a busca de reforçadores. O que tem acontecido atualmente como se fosse um movimento novo, é na realidade, aperfeiçoamento tecnológico. A velocidade como os fatos se mostram, aliados à liberdade e oportunidade de expressão, tem permitido ao jovem e a criança maior acessibilidade as ofertas existentes.

As coisas vão mudando à medida que os estímulos vão crescendo; a sedução aumenta à medida que as informações e os acessos também crescem.

Bom, mas você me questionou sobre produtos e não movimento; voltando à linha do tempo: é a questão do prazer imediato que vai mudando de sentido. O que é reforçador para uma cultura, pra outra já perde o sentido. Conforme aumenta a possibilidade de acesso, aumenta o desejo. E é claro, o poder de sedução de marketing das empresas, traduzido pelo o conjunto de estratégias e ações que provêem o desenvolvimento, o lançamento e a sustentação de um produtos ou serviços do mercado consumidor (Dicionário Novo Aurélio). se encarrega da satisfação deste prazer imediato.Você me pergunta sobre as atitudes dos pais: Os pais de hoje, agem sob efeito de dois movimentos; o da culpa e o da repressão sofrida pela sua geração. A culpa surge por não saberem gerenciar trabalho e companhia genuína. E a repressão, por quererem que os filhos tenham o que não tiveram.