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RELAÇÃO MÃE E FILHO – perguntas e respostas


** Entrevista para Boletim da Embraer – maio, 2014

Por que muitas mães se dedicam tanto aos filhos e esquecem de si mesmas?

No reino animal, o homem é o ser que passa maior período de dependência. Isso faz com que o papel da mãe que cuida se estenda mais que nas outras espécies. Na verdade elas não esquecem de si mesmas; elas fazem exatamente o que lhes dá mais prazer, que é cuidar. A mãe que cuida tem valor diferenciado e tem maior controle da situação. Isso a torna especial. Não é uma dedicação gratuita. O que elas não devem é esquecer de, paralelamente,desenvolver projetos próprios para que quando os rebentos forem conquistando independência, que é inevitável, o processo seja tranqüilo e que ela já tenha um outro foco.

– Como evitar o sentimento de culpa ao voltar a trabalhar?

Olha que interessante: se dividirmos a sociedade em três camadas; baixa, média e alta renda,vamos observar que as duas extremidades sofrem menos por motivos diversos e a média sofre mais. A classe com alta renda tem outros focos de atenção que não os filhos (viagens, encontros, dinheiro, etc.). A de baixa renda já vê o trabalho como a única forma de sobrevivência dos filhos e trabalha sem culpa, dando mais responsabilidade aos filhos (buscar o irmãozinho na escola, lavar os pratos etc.). Já a mãe a de média renda ainda carrega a carga cultural da mãe tempo integral. Como sofrer menos não é tão simples, pois cada mãe tem uma história e uma carga de valores e afeto. Contar com familiares, uma boa escola ou creche é fundamental. Arrume uma hora na sua AGENDA para BRINCAR ou CONVERSAR com seu filho. Quando estiver junto, esteja realmente junto.

Detalhe que muitas mães não se deram conta: a creche e a escolinha trazem um grande benefício para o desenvolvimento emocional. Desde muito cedo, a criança briga, brinca, divide, compartilha e se expõe as mais diversas situações que vão favorecer seu crescimento. Sofrerão menos de ansiedade principalmente a relacionada à habilidade social. Estes são fatores bastante positivos.

Outro detalhe: não deixe seu filho perceber que você está angustiada por deixá-lo para ir ao trabalho; ele pode começar a chantagear. A criança é muito astuta e manipuladora.

– O que fazer para não deixar o filho atrapalhar o casamento?

Quando o casal decide ter um filho, já deve contar com mudanças não só na dinâmica da relação, mas na vida de cada um. Um filho é um MARCO na vida das pessoas. Uma passagem grandiosa, mas que exige responsabilidade por parte dos dois. Quando há organização e parceria na relação, ninguém atrapalha ninguém e todos se sentem importantes. Lembre-se que ter filho hoje é uma escolha. Escolher implica em se responsabilizar.

– Como saber se os cuidados com o filho estão além da conta?

Depende do que se entende por cuidar. Cuidar não é fazer por ele e sim dar oportunidade:

* Dar OPORTUNIDADE para o filho DESEMPENHAR papéis pertinente à idade dele; isto fortalece a AUTO CONFIANÇA.

* É reforçar COMPORTAMENTOS ADEQUADOS. Se ele ajudou nos cuidados da casa, estudou ou foi responsável em qualquer situação, reconheça, agradeça e diga o quanto a participação dele foi importante.

* É solicitar a OPINIÃO e a AJUDA dele em ações da casa ou da família, fazendo-o se sentir importante nas decisões, sentindo-se parte da família.

* É falar dos seus SENTIMENTOS (positivos ou negativos), por exemplo: hoje fiquei muito feliz em passar a tarde com você! Gostei muito do que você fez! Nosso passeio me deixou feliz, foi muito bom estarmos juntos; ou, não gostei de sair sem você: fiquei triste! Não gostei que tivesse esquecido nosso compromisso! Fiquei triste com o seu comportamento (quando for inadequado)

* É orientar o filho sem sufocá-lo (excesso de autoridade).

* É dar limites na medida certa para desenvolver a segurança.

* Etc, etc, etc.

– O que muda no psicológico de uma mulher quando ela vira mãe?

São muitas mudanças físicas, químicas, sociais, laborativas e, conseqüentemente, psicólogicas. Os papéis mudam; ela deixa de ser somente filha e esposa e acrescenta o maior papel, que é o de mãe. Nós não funcionamos de forma isolada. Todos os nossos papéis se misturam.

O que é depressão pós-parto e por que isso acontece?

A resposta é longa, mas vou tentar simplificar. Muitos confundem uma tristeza passageira que acomete algumas mulheres no pós parto com Depressão Pós Parto. Pelo fato de a mulher passar por inúmeras mudanças físicas, químicas e sociais, pode acontecer um estado confusional e a mulher ficar perdida e entristecida. Um bom apoio familiar ajudará muito. Agora, se este estado vai se instalando aos poucos e se apresenta num período de três meses a um ano após o nascimento do bebê, a investigação deve ser mais criteriosa. Primeiramente, devemos que levar em consideração a base biológica e o histórico familiar, principalmente se ela tem parentes próximos (pai, mãe, avós) portadores de Transtorno Bipolar do Afeto. De modo geral, a DEPRESSÃO PÓS PARTO está ligada a mulheres com base biológica favorável ao TAB; a menos que ela esteja vivendo uma condição muito aversiva aí ela cairia no que chamamos de DESAMPARO APRENDIDO**. É importante procurar a ajuda de um bom psiquiatra que a avaliará e medicará.

– Como manter a auto estima das mamães?

A auto estima está mais relacionada com a forma que a pessoa se sente em relação ao outro – forma como interajo e sou aceita. Este fator é muitas vezes confundido com aparência. Se a pessoa se sente importante nas relações, fala dos sentimentos e se expõe de forma assertiva, ela se esforça pra melhorar a autoconfiança, baseando-se nas evidências, notando que ela já foi capaz de realizar e apostar em novas realizações. Como conseqüência, melhora-se e mantem-se a auto estima.

Obs.: Começamos a desenvolver nossa auto estima na relação com os pais ou pessoas que cuidam de nós, quando nos sentimos queridos e importantes. Quando ouvimos dos nossos pais coisas como: fiz aquela sopa que você gosta, gosto de ir ao cinema com você (independente do filme), você faz tal coisa muito bem. Quando fazemos algo errado, eles atacam o comportamento e não a pessoa, ex.: “fiquei triste porque você contou uma mentira” e não “você é um mentiroso”.

– Dê algumas dicas importantes para todas as mamães. 

Teria milhares de dicas para dar, mas não caberiam aqui. Então MAMÃE, curta tudo que estiver ao seu alcance nesta nova e grandiosa etapa! Não sofra pelo que não conseguir realizar pois tudo se deve ao momento e as circunstâncias que estamos vivendo. Nem sempre temos condições para fazermos tudo que desejamos.

Indique um site sobre o assunto.

Sites infelizmente não saberei informar. Certamente existem diversos, mas meu tempo, por ser tão curto,só me permite livros e cursos

** Só pra você tomar conhecimento: DESAMPARO APRENDIDO – Outro modelo animal de depressão estudado por Martin Seligman em 1975, caracterizado pela ausência de resposta à exposição a eventos incontroláveis que dificultam a aquisição de aprendizagens operantes imediatas, visto que nada podem fazer diante de tais situações.

Na psiquiatria, são apontados os sintomas abaixo como alguns dos componentes do quadro depressivo (DSM-IV-TR):

Humor deprimido, perda do prazer e interesse, alterações no sono e apetite, agitação ou pensamentos recorrentes sobre morte e ideação suicida.

Autor:

MARIA DE LOURDES DA CUNHA SOLA PSICÓLOGA COMPORTAMENTAL E COGNITIVA ESPECIALISTA PELA USP - EXTENSÃO EM PSIQUIATRIA PELA ABP CRP: 06/46882-6 # Atendimento com hora marcada a adultos, adolescentes e orientação familiar. # Transtornos de Ansiedade como: Fobias, Pânico e Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).Estresse,Estresse´Pós -Traumático. #Transtornos do Humor como: Depressão, Transtorno Bipolar e Distimia. # Transtornos de Personalidade. # Transtorno do Impulso como:Oniomania (compra compulsiva), Jogo compulsivo e Tricotilomania ( arrancar cabelos), Amor Patológico entre outros. #Transtornos Alimentares; Anorexia e Bulimia. # Atendendimento ao dependente químico, trabalhando com Prevenção de Recaídas e Relaxamento. # Orientação familiar às famílias de pacientes portadores de Esquizofrenia #Psicóloga e pedagoga, formada pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), com especialização em Análise Comportamental e Cognitiva, pela Universidade de São Paulo (USP). # Membro do Núcleo de Análise do Comportamento de Santos e Região # Acompanhante Terapêutica na SENAT- Sessão Núcleo de Apoio ao Apoio ao Tóxicodependente da Prefeitura de Santos. # Supervisora de alunos de psicologia e profissionais recém formados # Psicóloga voluntária da ONG DIREITO A VIDA

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